“Nunca pensei que o meu pai a matasse”

Hugo ouviu o pai a dizer que matava a mãe e não acreditou, porque as ameaças de morte nunca tinham passado das agressões. Mesmo assim, saiu de casa, na noite de núpcias, para impedir que Agostinho Mendes Santos agredisse a mãe, Maria da Glória. Ao telemóvel, o jovem de 24 anos avisou o pai que não admitia que ele batesse na mãe. “À minha frente não lhe bates. Ou tu me estendes ou sou eu que te estendo a ti”, avisou Hugo. Agostinho ignorou a ameaça e esfaqueou a mulher em plena rua, no Bairro da Cantina, em Lamas, Santa Maria da Feira.

Ontem, Hugo reviveu no tribunal de Santa Maria da Feira os momentos que antecederam a morte da mãe, em 27 de Agosto de 2011, o dia do seu casamento. “Nunca pensei que o meu pai a matasse. Saí de casa com um ferro, mas o meu sogro acalmou-me e aconselhou-me a pedir ajuda à GNR”, recordou o jovem, enquanto no banco dos réus Agostinho, que se remeteu ao silêncio, chorava convulsivamente ao ouvir o testemunho. Foi no posto da GNR de Lamas que Hugo soube da morte. “A sua mãe foi esfaqueada”, pegue no carro e vá lá a casa”, disse-me um dos guardas.

“Vou morrer, eu vou morrer”, foram as últimas palavras de Maria da Glória que já não foram escutadas por Hugo. O jovem explicou ao colectivo de juízes que as agressões de Agostinho à mulher tornaram-se mais frequentes nas semanas que antecederam o crime e que levaram mãe e filho a saírem de casa. “Ele era ciumento e ela gostava de ir para o karaoke”, contou Hugo. “Ele nunca lhe faltou com nada, era um bom marido, mas tinha momentos em que era capaz de tudo”, afirmou.

Na noite do crime, Agostinho foi espiar a mulher e viu-a no carro com um amigo. Ligou ao filho e disse-lhe que tinha razão. Depois matou-a com seis facadas.

In:www.cmjornal.xl.pt